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Dez de julho

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Hoje é meu aniversário. Eu nunca gostei muito dessa data. Todas as felicitações sempre me soaram falsas, como se eu não merecesse ser tratada de forma especial. Afinal eu não fiz nada de especial. Eu apenas nasci. Nunca gostei de fazer alarde. Nunca quis festa. Sempre foi uma data que me remetia àquela mesma depressão de ano novo. Com o adicional de que eu seria o centro das atenções. Ontem a minha psicóloga me sugeriu ressignificar essa minha relação com meu aniversário. Tudo bem não querer fazer festa, mas não precisa ser um momento doloroso. Hoje uma colega me falou como ela gosta do dia do aniversário dela, que ela também não gosta de festa, mas que sempre faz alguma coisa especial, como um passeio, ou sair com alguém que ela gosta. Então eu resolvi sair.  Cheguei cedo de casa do trabalho. No fundo eu não queria ficar sozinha sem fazer nada. Não quero perpetuar esses sentimentos negativos. Tomei um sorvete na orla e fui ver o pôr do sol no rio vermelho.  Já é um bom começo...

Microbiologia, vacinas e registros

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Nesse último mês eu estava fazendo um estágio no laboratório do hospital. Estava me sentindo em casa. Sabe, eu amo microbiologia. Acompanhar o crescimento dos microorganismos. Observar como cada agente se apresenta com colônias de cores, formatos, texturas e cheiros diferentes. A microbiologia é linda, eu adoro. Desde a faculdade eu sou fascinada pela microbiologia, e talvez isso tenha pesado para que eu escolhesse me especializar em infectologia. Estando no estágio do laboratório eu não tinha grandes obrigações, afinal o laboratório não poderia depender de mim para funcionar. Então a princípio eu apenas observava os técnicos trabalhando. Semeando nas placas. Corando lâminas de gram e ziehl. Testando coagulase.... seguindo o dia-a-dia. E até apenas isso já estava sendo bom demais. Tive "sorte" de estar em um mês com muitos achados interessantes, entre criptococos e bactérias multirresistentes. Até que na minha ousadia, com as lembranças da minha época de monitoria de microbio...

Posso?

Faz tempo. E eu nem lembrava quanto. Na verdade faz menos tempo do que eu pensava. E isso nem é importante mesmo. Só me deixa ter direito a um pouquinho de futilidade. Eu tenho esse direito, não tenho?    O direito de não fazer sentido.    Se tenho, me deixa aproveitar dele hoje. Não estou afim de ser direta. O dia-a-dia já me obriga a ser direta o suficiente. E a obedecer as normas cultas o suficiente. Eu tenho esse direito, não tenho?    O direito a uma licença poética.    Não sempre, só de vez em quando mesmo. Já não lembro mais das minhas motivações. Vim aqui corrigir uns erros imaginários que nem são tão importantes assim.