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Livro | Torto Arado (Itamar Vieira Junior)

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Nossa, esse livro me marcou demais. A foto que inspira a foto é do fotógrafo Giovanni Marrozini Rolando o feed do skoob vi a capa desse livro - que é uma releitura da fotografia acima -, e achei tão linda que prendeu minha atenção, acrescentei à minha lista de leitura e cá estou eu apaixonada. Quando foi a última vez que um livro me capturou tanto? Juntou tudo, sabe? E se encaixou perfeitamente nos meus afetos. Primeiro porque a história se passa na região da Chapada, aqui na Bahia. É onde meu avô mora, é onde eu tenho um laço afetivo forte. É onde eu descobri o que é o sertão. É um território que conheço e amo. Onde as pessoas tem um senso de comunidade diferente, compartilham as frutas que dão de sobra no quintal, incorporam as roças ao dia a dia, mesmo morando na cidade. Segundo que vivo em um ambiente muito marcado por religiões de matriz africana. E graças ao livro conheci mais uma, o Jarê, o qual nunca tinha ouvido falar - e traz símbolos indígenas, africanos e católicos - , mas ...

Perdi o fio da meada

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Eu to revoltada e assustada. Desde que vi no jornal sobre a morte de João Pedro, garoto de 14 anos assassinado pela polícia dentro de sua própria casa, eu fiquei muito abalada. Quando vi a notícia passando no Fantástico eu me esforcei para não chorar. Como se não bastasse isso, o Fantástico está com uma série chamada "Inumeráveis" no qual artistas narram histórias de pessoas que morreram vítimas da COVID-19. É uma iniciativa bacana, afinal é muito fácil desumanizar, transformar pessoas em estatísticas. Mas cada uma dessas pessoas tem uma biografia. Me segurei mais uma vez para não chorar. Depois me aparecem notícias bizarras sobre o presidente, que de tão corriqueiras não chocam mais. Hoje mesmo eu soube que o novo Conselheiro de Assuntos Estratégicos do Ministério da Saúde, braço direito do Ministro da Saúde General Pazuello é o dono da Wizard. Até faz sentido que um empresário ocupe esse cargo, que é responsável pelas relações com a pesquisa, investimento e assistência farm...

Papos sobre a covid-19: Tubaína e Globo News

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Eu estou escrevendo uma série de posts sobre o tratamento da COVID-19 que estão sendo postados no instagram. Não que existam muitas alternativas de tratamento, né? Até hoje NENHUM medicamento foi considerado eficaz pelas evidências científicas.  NENHUM. E acho muito curioso o interesse em afirmar que existe alguma substância milagrosa. Muito curioso mesmo. Lembrei até de um meme muito legal, que é uma imitação de uma publicação do New England comparando a cloroquina com a tubaína (1) . O estudo-meme chega a conclusão de que tubaína tem um gosto melhor, e eu ainda acrescento dizendo que a tubaína não tem nenhum estudo evidenciando que ela aumenta a ocorrência de arritmias e morte. A cloroquina sim . Temos muita pesquisa sendo desenvolvida em uma velocidade incrível. A cada semana vemos atualizações, artigos sendo publicados, pesquisas sendo desenvolvidas mundo afora... e algumas pesquisas importantes estão sendo realizadas no Brasil também, apesar de não recebermos muit...

Livro | Holocausto Brasileiro (Daniela Arbex)

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Forte. Pesado. Hospital Colônia de Barbacena. Foto de Luiz Alfredo. A certeza que eu tenho na vida é que eu choraria lendo a lista de compras de Daniela Arbex. Assim como em “Todo dia a mesma noite”, ela faz um trabalho impecável, elevando a narrativa para um outro patamar. Logo no prefácio levei vários tapas na cara. É brutal.  Daniela é uma relevante jornalista brasileira dedicada à defesa dos direitos humanos. O seu livro "Holocausto Brasileiro" foi eleito Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (2013) e segundo melhor Livro-Reportagem no Prêmio Jabuti (2014). “O fato é que a história do Colônia é a nossa história. Ela representa a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil. Os campos de concentração vão além de Barbacena.”  Quando ouvimos falar em holocausto a primeira imagem que vem à mente é a dos judeus e outras minorias que sofreram nos campos de concentração nazistas. Esse fato corresponde ...

Livro | Kindred: Laços de sangue

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Octavia Butler, autora deste livro, é conhecida no meio literário como "primeira dama da ficção científica". Algo importante de se ressaltar é a importância dela como mulher negra na literatura, principalmente nesse gênero, extremamente dominado por homens brancos. Octavia Butler Kindred é uma história de viagem no tempo. Sem deloreans ou tardis , aqui o impulso para essa viagem são os laços de sangue, como pode-se imaginar pelo subtítulo do livro. Dana, nossa personagem principal salta do século XX ao XIX, o que é um grande choque, mas poderia não ter grandes implicações se não fosse por ela ser uma negra caindo de paraquedas na Maryland escravocrata. O que a mantem nessas idas e vindas entre o passado e o presente são os laços com seus antepassados; relações que se baseiam em sentimentos conflitantes de amor, temor e ódio. E Dana, que em sua época, é uma mulher livre, culta e empoderada, passa pela dificuldade de abrir mão de como se identifica, para se descob...

Cai a primeira grande ficha

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Deixei de ter a capacidade de escrever sobre assuntos pessoais em um blog. Daí a razão por eu ter adiado tanto para escrever sobre como está sendo a minha quarentena. Mas comecemos do princípio. Cerca de 36 dias atrás, fui na rua com um amigo comprar um adaptador de cabo hdmi entre outras coisas. Enquanto estávamos andando pelo comércio passamos por algumas lojas de eletrodomésticos, dessas que ficam com as paredes lotadas de televisões. Em cada loja um canal diferente sintonizado. Em todas as lojas a programação seguia o mesmo padrão: noticiários trazendo informações sobre a pandemia de Covid-19.  Desenho que fiz sobre esse dia. Não ficou dos melhores, mas passa a mensagem. E foi assim que a primeira grande ficha caiu. Antes desse momento a quarentena parecia uma coisa distante, a pandemia não parecia ser algo que iria atingir o nosso cotidiano. Mas a partir desse dia o estágio foi cancelado, não pudemos ir para as casas de nossas família, por quê andávamos no hosp...

Livro | A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

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Há tanto a ser dito sobre esse livro, que as ideias se embaralham e posso me perder no que é mesmo importante.  Positivo e negativo. Várias coisas na vida tem esses dois pólos. Claro e escuro. Cheio e vazio. Mas enquanto ao peso e à leveza? Qual o pólo positivo e qual o negativo nessa equação? Essa discussão vai sendo suscitada à medida que vemos como os quatro personagens principais carregam seus fardos ou lidam com ausências. Não vou mentir: eu estava detestando o livro no início. O texto me parecia muito corrido, com poucos detalhes. O ritmo era estranho, e eu não enxergava a profundidade. O ponto de vista de Tomas justificando suas escrotices, e descrevendo sua mulher amada como um ser imaculado era o que menos me interessava. Simplesmente insisti e sobrevivi à primeira parte. Mas depois quando os demais personagens passaram a ter suas personalidades aprofundadas eu comecei a gostar. Este quadro de Gustave Caillebotte (Homem jovem à janela) é como imagino Tomas e...