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Ontem recebi uma notícia triste, a morte de uma professora que foi essencial na minha jornada acadêmica. Aprendi tanto, mas tanto... A ser questionadora, a enxergar fora da caixa. A descolonizar, desconstruir, transversalisar. Mas não somente isso, ela me fez me sentir muito querida, e ao mesmo tempo não. Isso me deu uma dimensão da importância da minha voz, e da dureza da vida real.  Com ela fui introduzida aos estudos de gênero e qualidade de vida essenciais para a formação profissional e pessoal. Aprendi epistemiologias outras, saí do tradicional e nunca mais voltei. Isso é gigante. E seu sorriso era contagiante. Era poesia.  Fran era uma mulher trans, ativista, negra, doutora, professora apaixonada pela arte de ensinar. Sou grata por ter tido a oportunidade de conhecê-la, conviver, discutir e fazer ciência com ela.  Tivemos entraves pelo caminho, e tínhamos discordâncias, afinal ninguém é perfeito, e todo esse conjunto enaltace a beleza e a inspiração que a existência...

Mercúrio está retrógrado?

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Hoje tive um dia  Como definir? Caótico? Caótico não é bem a palavra. A menos que você creia que o caos é bom. Estou confusa. E talvez isso também seja um reflexo do dia. Do começo, então? Levantei da cama trinta minutos atrasada. Eu gosto de ter uma hora inteira pra me arrumar sem pressa, mas consigo tranquilamente ficar pronta em meia hora. O dia começou tão preguiçoso, frio e nublado, que me atrasei de qualquer forma e quase perdi o ônibus. De longe o vi chegando e corri. E alcancei. Cheguei no hospital suada e desconfortável. O dia não iria ser bom. Troquei de roupa e fui ver a lista dos pacientes: enfermaria lotada. Visitei uma parte deles e fui fazer as evoluções. Ora, acho que não preciso de tantos detalhes para relatar a energia caótica do dia. Talvez quanto menos detalhes, mais eu consiga transmitir a sensação. Eu sou como um Mister M que revela seus truques, não sou? Leito 1 Criança com suspeita de doença grave, pais ansiosos, me fazem perguntas difíceis. ...

Escrever escrever escrever

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Faz tempo que não escrevo. Quantas vezes já escrevi sobre o fato de fazer tempo que não escrevia? Algumas.  Até que tenho escrito de vez em quando, mas de forma privada. Só que as vezes me vem essa sensação de querer falar ao mundo, sabe? Não apenas colocar para fora, mas necessariamente organizar o pensamento e trabalhar ele até se tornar palatável. Bonito, talvez.  Pelo menos pra mim.  Pelo menos. Sempre que faço isso me sinto tão bem. Mas por que não me mantenho fazendo?  Como quando faço uma sessão de yoga e me sinto extremamente bem. Já cheguei a manter esse hábito de forma regular por um mês inteirinho. Grande feito. E fui enganada. Me enganaram dizendo que para consolidar um hábito você precisa de 21 dias de constância. Não funcionou para mim. Tenho dificuldade em seguir dicas de produtividade, apesar de ser completamente obcecada pelo tema. Incoerências? Quando escrevo esses textos desconexos - desorganizados? - que viajam demais entre um parágrafo e outro le...

Ensaio sobre a preguiça

 Ia escrever, mas deu preguiça

Livro | VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue (Cesar Bravo)

Já contei por aqui o quanto eu gosto das indicações de Adriana do Redatora de Merda , mas não custa reforçar. Ela é fã de terror, suspense e desgraçamento de mente e sempre indica conteúdos impactantes. Com VHS não foi diferente. Esse livro é um prato cheio pra quem curte terror. VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue promove uma imersão no gênero terror através de contos que se encontram na cidade fictícia de Três Rios e  circunvizinhança. Dessa forma Cesar Bravo cria toda uma mitologia envolvendo a região através de seus contos perturbadores. E vale destacar que o autor é brasileiro. Bom demais. O livro é um lançamento da DarkSide Books, então já é de se imaginar o quanto a edição é belíssima. A princípio vemos recortes variados de jornais, folhetos, notas fictícias que entregam um tom documental e trazem uma ambientação muito boa antes mesmo dos contos se iniciarem. Não vou falar de cada conto um por um, mas o primeiro precisa ser registrado. Trata-se de uma ótima apresentação do...

Livro | Meia-noite e vinte (Daniel Galera)

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Ganhei esse livro de presente de um amigo. Ele leu, amou, me indicou e depois me presenteou com o livro pra me obrigar a ler, e ainda com a missão de discutirmos sobre ele depois. Esse é o melhor tipo de leitura, aquela que você pode discutir com alguém depois. E esse livro, em especial, é uma leitura um pouco fora do convencional, tanto que as resenhas dele variam bastante entre o amei/detestei. E geralmente as indicações de Lucas são todas assim. Um adendo: A essa altura vocês já sabem que não faço resenhas, não é? Só jogo umas ideias e vamo ver no que dá. A história contada em Meia-noite e vinte não é linear, mas é permeada de flashbacks  que fizeram com que eu desistisse de entender a temporalidade das coisas. O livro se passa na Porto Alegre de 2014 e conta a história do reencontro de 3 amigos após a morte Andrei, que seria o elo do quarteto. Andrei era um artista. Aliás, na verdade, o quarteto composto por ele, Emiliano, Aurora e Antero era um grupo de artistas, mas ape...

Mascarada é confundida na rua

Estava andando, voltando da casa da minha avó. Fazendo um caminho por ruas que já conheço de cor. De longe avisto uma mulher saindo de uma lojinha,  ela olha pra mim por um instante e me cumprimenta. Eu não a reconheço, mas resolvo responder o cumprimento por educação. Em seguida, ainda de longe ela fala "e então, vai querer pitaya hoje?". Pensei em dizer "a senhora deve estar me confundindo, não  costumo comprar pitaya". Mas por preguiça e divertimento simplifiquei as coisas e respondi "hoje nao", e sorri de volta. Sorri com os olhos, claro. Nada de mais, mas a gente pega os pequenos divertimentos do dia mesmo.